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Filipenses 4:13

Posso todas as coisas naquele que me fortalece

A Pessoa humana é solidária: A Co-Humanidade no nível do “Eu-Tu”.

08 FEV 2014
08 de Fevereiro de 2014

“Eles mostravam-se assíduos ao ensinamento dos apóstolos, à comunhão fraterna, à fração do pão e às orações. Apossava-se de todos o temor, pois numerosos eram os prodígios e sinais que realizavam por meio dos apóstolos. Todos os que tinham abraçado a fé reuniam-se e punham tudo em comum: vendiam suas propriedades e bens, e dividiam-nos entre todos, segundo as necessidades de cada um. Dia a pós dia, unânimes, mostravam-se assíduos no Templo e partiam o pão pelas casas, tomando o alimento com alegria e simplicidade de coração. Louvavam a Deus e gozavam da simpatia de todo o povo. E o Senhor acrescentava a cada dia ao seu número os que seriam salvos”. Atos 2.42-47 (Bíblia de Jerusalém – Nova edição, revista e ampliada)

 

Cada pessoa humana vive e se desenvolve no interior de um conjunto muito complexo de relações, intercâmbios, colaborações e rivalidades.

A pessoa, pelo fato de ser pessoa, exige a relação interpessoal em diferentes níveis. O encontro com outras pessoas é necessário para que a pessoa possa perceber e desenvolver a própria identidade pessoal. Quer dizer, a pessoa se percebe como pessoa na interpelação-resposta, na doação ao outro, no acolhimento, na confiança e na entrega mútua. A relação com as outras pessoas nos faz tomar consciência da nossa singularidade pessoal tão concreta.

Certamente, a relação com Deus é a dimensão constitutiva mais radical do ser humano. Este é criatura de Deus, a Ele referido, incompreensível na sua mais profunda realidade sem esta referência.

Escolhido pelo Deus criador-salvador, o ser humano é chamado a aceitar a eleição divina acolhendo a proposta que ela implica. Acima de tudo o ser humano é criado para Deus. E por isso mesmo, existe simultaneamente para os outros seres humanos. A relação com Deus é fundante das relações entre as pessoas humanas.

A co-humanidade do homem concreto implica radicalmente confronto ou co-existência de pessoa determinada com pessoa determinada. O encontro pessoa-pessoa, em singular, é pressuposto indispensável para que possa ser vivência da dimensão social do ser humano.

 

·         O encontro com o marginalizado.

·         O encontro com o empobrecido.

·         A relação do Eu-Tu.

 

O “Eu” implica sempre distinção e relação a um “Tu” que é diverso do “Eu”, mas que não é um objeto. Distingo-me do “tu” e simultaneamente reconheço a existência de uma relação entre nós. “Eu” e “Tu”: Nos vinculamos e distinguimos reciprocamente. “Eu” implica em “tu”: A minha humanidade implica a humanidade do “tu”. Quando falo do “eu” interpelo o “tu”, reconhecido como o meu semelhante, e por sua vez o “tu” me interpela. Não falo a respeito dele (objeto), mas falo a ele, da mesma maneira que o “tu” não fala sobre mim, mas fala a mim.

Assim nos reconhecemos mutuamente como seres humanos e não como coisas.

 

A riqueza humana do que seja o encontro fica destarte bem mais latente.

 

Encontrar-se significa olhar-se mutuamente nos olhos. Ver o próximo como ser humano e permitir que Ele me veja também humanamente.

Encontrar-se significa falar a outro e escutá-lo. A linguagem está a serviço da comunicação-encontro entre as pessoas. O olhar mútuo, com sua abertura inicial, não é suficiente para o encontro. É necessário o momento da interpretação.

Encontrar-se significa ajudar-se mutuamente no agir. Ver e ser visto humanamente, falar e escutar humanamente faz com que o “eu” e o “tu” se percebam como sendo interdependentes e chamados mediante um apelo mútuo à ação.

Só é humana uma determinada ação quando nela está presente o apelo ao próximo e o apelo do próximo.

Encontrar-se significa assumir voluntaria e livremente que unicamente podemos ser humanos quando somos como os outros e junto a eles, quando aceitamos livremente que a co-humanidade é uma realidade constitutiva do ser humano e não algo acidental, fortuito ou imposto extrinsecamente.

Trata-se de assumir e desenvolver aquilo que já somos na estrutura intima do nosso ser humano, a saber, criaturas chamadas a viver co-humanidade.

Numa relação predominante de exclusão-negação é possível, desenvolver o encontro com o “eu-tu”, enquanto é desvalorizada a co-humanidade no nível sociopolítico e econômico. Isto é válido para todo o tipo de encontro genuíno pessoa-pessoa, mas torna-se muito mais exigente quando se trata do encontro com o empobrecido e injustiçado. Por outra parte, quando o cristão comprometido na transformação socioeconômica, política e até institucional, está guiado por uma visão unitária de pessoa humana – respeitando as diferenças entre as suas várias dimensões – saberá também deixar-se questionar pelo rosto do pobre no encontro pessoa-pessoa.

 

“E o Senhor acrescentava a cada dia ao seu número os que seriam salvos”.

Pr. Vagner Freire

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